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As pragas podem causar perdas significativas na produção agrícola quando não são identificadas e manejadas no momento adequado. Insetos, ácaros e outros organismos podem comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade e afetar a qualidade da produção.
É por isso que o Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma estratégia importante para o campo. Em vez de tentar eliminar completamente uma praga, a proposta é acompanhar sua população e utilizar diferentes métodos de controle para mantê-la em níveis que não causem prejuízos econômicos à lavoura.
Na prática, isso significa tomar decisões com base no monitoramento da lavoura e no momento correto para agir. Assim, o produtor pode evitar intervenções desnecessárias, preservar mecanismos naturais de controle e reduzir o risco de perdas, mantendo a produtividade de forma mais eficiente.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP), segundo a definição da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), é um sistema de manejo que considera o ambiente e a dinâmica das populações de pragas para combinar diferentes técnicas e métodos de controle para manter a população da praga abaixo dos níveis capazes de causar dano econômico.
Para isso, o MIP depende do monitoramento constante da lavoura e de critérios que ajudam a determinar quando uma intervenção é realmente necessária. Três conceitos são fundamentais para essa tomada de decisão:
Na prática, o produtor acompanha a população da praga e toma a decisão de controle quando ela atinge o NC. Dessa forma, a intervenção acontece antes que a população alcance o NDE, evitando que a infestação resulte em perdas econômicas significativas.
Mais do que eliminar uma praga, portanto, o MIP busca mantê-la em níveis que não comprometam a produtividade da lavoura. Para isso, diferentes estratégias podem ser utilizadas de maneira integrada, levando em consideração a cultura, as condições ambientais, a presença de inimigos naturais e as características da própria praga.
O conceito de Manejo Integrado de Pragas evoluiu junto com o conhecimento sobre a dinâmica dos agroecossistemas.
Em décadas passadas, o setor agrícola também utilizava o conceito de Controle Integrado de Pragas. Suas bases foram desenvolvidas por pesquisadores norte-americanos na década de 1950, inicialmente com a integração dos controles químico e biológico.
Com o avanço das pesquisas agronômicas, ficou cada vez mais evidente que tentar eliminar uma praga completamente não era uma estratégia sustentável. O uso excessivo ou inadequado de inseticidas pode favorecer a seleção de populações resistentes, eliminar inimigos naturais e provocar desequilíbrios no agroecossistema.
Esses problemas contribuíram para a evolução de uma abordagem mais ampla, que passou a ser chamada de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
O termo “manejo” passou a enfatizar uma mudança de paradigma: em vez de buscar o extermínio da praga, a estratégia é compreender sua relação com o ambiente, acompanhar sua população e combinar métodos de controle para mantê-la em níveis economicamente aceitáveis.
O conceito também se ampliou para além dos insetos, integrando estratégias relacionadas a doenças e plantas daninhas no manejo geral das culturas.
É importante, portanto, diferenciar o MIP do CIP (Controle Integrado de Pragas) utilizado em ambientes urbanos, industriais, comerciais e residenciais. Embora os dois conceitos compartilhem princípios, como monitoramento e combinação de métodos, os objetivos e critérios de decisão são diferentes. Confira abaixo:
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Critério |
MIP |
CIP |
|---|---|---|
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Ambiente principal |
Agrícola, como lavouras, pomares e florestas comerciais. |
Urbano, industrial, comercial e residencial. |
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Nível de tolerância |
Baseado no dano econômico que a praga pode causar à produção (NDE). |
Tolerância geralmente muito baixa ou inexistente, especialmente quando há exigências sanitárias. |
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Regulação no Brasil |
Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com suporte técnico e científico de instituições como a Embrapa. |
ANVISA e órgãos de Vigilância Sanitária, conforme a atividade e as normas sanitárias aplicáveis. |
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Estratégias-chave |
Monitoramento, controle biológico, práticas culturais, variedades resistentes e controle químico quando necessário. |
Medidas de prevenção e controle relacionadas a água, alimento, abrigo e acesso, além do uso de produtos saneantes regularizados. |
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O Manejo Integrado de Pragas combina diferentes estratégias de controle de acordo com as características da cultura, da praga e do ambiente.
A escolha dos métodos — incluindo a integração entre eles — deve considerar o monitoramento da lavoura e o momento adequado para a intervenção, buscando reduzir os danos à produção sem causar desequilíbrios no agroecossistema.
Estas são algumas das principais estratégias utilizadas no MIP:
Consiste na adoção de práticas agrícolas capazes de reduzir as condições favoráveis ao desenvolvimento e à multiplicação das pragas.
A rotação de culturas, o manejo adequado dos restos culturais, a escolha da época de plantio e a eliminação de plantas hospedeiras são alguns exemplos de medidas que podem dificultar o estabelecimento das pragas na lavoura.
Explora o comportamento das pragas para monitorá-las, atraí-las, repeli-las ou interferir em sua reprodução.
Armadilhas e feromônios, por exemplo, podem ser utilizados para detectar a presença de determinadas espécies, acompanhar sua população ou reduzir sua capacidade de reprodução.
Utiliza organismos vivos, como predadores, parasitoides e microrganismos, para reduzir a população das pragas.
Esses agentes podem estar presentes naturalmente no ambiente ou ser introduzidos na lavoura por meio de programas de controle biológico. Além de contribuir para o equilíbrio do agroecossistema, essa estratégia pode diminuir a necessidade de outras formas de controle.
Envolve o uso de características genéticas que tornam as plantas mais resistentes ou menos suscetíveis ao ataque de determinadas pragas.
O plantio de variedades resistentes é uma das principais aplicações dessa estratégia e pode reduzir os danos provocados pelas pragas e a necessidade de outras medidas de controle.
O MIP também pode utilizar técnicas de manipulação genética de pragas em situações específicas.
Utiliza barreiras, equipamentos ou intervenções físicas e mecânicas para impedir, capturar ou reduzir a população das pragas.
Telas, armadilhas mecânicas, barreiras físicas e outras medidas podem dificultar o acesso das pragas às plantas ou reduzir sua presença na área cultivada.
Usa produtos químicos registrados para controlar as pragas quando o monitoramento indica que uma intervenção é necessária. Dentro dos princípios do MIP, a aplicação deve ser criteriosa, seguindo as recomendações técnicas e priorizando, quando disponíveis, produtos seletivos que preservem os organismos benéficos.
O objetivo não é eliminar indiscriminadamente todos os organismos da lavoura, mas reduzir a população da praga a níveis que não provoquem dano econômico.
Mesmo com todos os cuidados adotados durante o cultivo, a produção agrícola continua sujeita à ação de pragas depois da colheita. Grãos e outros produtos agrícolas podem ser infestados durante as etapas de armazenamento, em silos e armazéns graneleiros, ou durante o transporte.
Nesse contexto, a fumigação, também conhecida como expurgo, é uma ferramenta de controle químico utilizada para proteger produtos armazenados. O procedimento consiste na aplicação de um agente fumigante em um ambiente adequadamente vedado, permitindo que o gás atinja os insetos presentes na massa de grãos e em outros produtos armazenados.
Entre os fumigantes utilizados no armazenamento de grãos estão produtos à base de fosfeto de alumínio e fosfeto de magnésio, que liberam fosfina. Quando realizada corretamente, a fumigação é capaz de atingir as diferentes fases de desenvolvimento dos insetos, incluindo ovos, larvas, pupas e adultos.
O serviço de fumigação de grãos armazenados se relaciona ao Manejo Integrado de Pragas como uma ferramenta tática de proteção da massa de grãos. Ela não substitui o monitoramento, a limpeza, as boas práticas de armazenamento e as demais medidas preventivas, mas pode ser necessária quando uma infestação é identificada e o controle da praga exige uma intervenção específica.
A aplicação correta é especialmente importante porque o fumigante precisa permanecer em concentração adequada durante o período necessário para eliminar as pragas. Por isso, o tratamento deve ser realizado em estruturas que possam ser devidamente vedadas e por profissionais capacitados para conduzir a operação com segurança.
O uso indiscriminado ou incorreto de inseticidas e fumigantes pode favorecer a seleção de populações de pragas resistentes. No caso da fosfina, já foram identificadas populações de insetos de produtos armazenados com diferentes níveis de resistência, o que pode comprometer a eficácia do tratamento quando ele é realizado de forma inadequada ou repetitiva.
Por isso, recomenda-se que o uso da fumigação esteja integrado a uma estratégia mais ampla de manejo. Aplicar o fumigante sempre que houver suspeita de infestação, sem diagnóstico e sem considerar as demais medidas de prevenção e controle, contraria os princípios do MIP e pode contribuir para o aumento da resistência das populações.
Além da escolha adequada do tratamento, a qualidade da operação é fundamental para sua eficácia. A fumigação exige conhecimento técnico para preparar a estrutura, garantir a estanqueidade necessária e manter as condições adequadas durante o tratamento. A vedação correta é especialmente importante porque permite que o gás permaneça no ambiente na concentração necessária para o controle das pragas.
Por envolver gases fumigantes e riscos à saúde, a operação também exige procedimentos rigorosos de segurança e profissionais devidamente capacitados. Dessa forma, o serviço especializado contribui não apenas para o controle das pragas, mas também para que a fumigação seja realizada de maneira adequada e integrada às demais estratégias de proteção dos produtos armazenados.
O Manejo Integrado de Pragas não termina com a colheita. Durante o armazenamento e o transporte, os produtos agrícolas continuam sujeitos à ação de insetos e outras pragas, que podem comprometer a qualidade da produção e gerar perdas econômicas.
Contar com uma empresa especializada ajuda a identificar os riscos, escolher as estratégias adequadas e realizar os tratamentos necessários de forma segura e eficiente. Com mais de 100 anos de experiência e presença em 90 países, a Rentokil é líder mundial em controle de pragas e reúne conhecimento global, especialistas locais e investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento.
No setor agrícola, a Rentokil oferece soluções para proteger culturas, produtos armazenados e instalações contra diferentes ameaças. Entre elas está o serviço de fumigação, realizado em silos, armazéns e contêineres para o controle de pragas em produtos armazenados.
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