Doenças causadas por mosquitos: vetores e precauções

Embora sejam minúsculos, os mosquitos representam uma das maiores ameaças à saúde humana. Mais do que um simples incômodo, eles são responsáveis pela transmissão de doenças potencialmente fatais que afetam milhões de pessoas todos os anos no mundo inteiro.

No Brasil, o clima tropical e a presença de áreas com saneamento precário criam condições ideais para a proliferação desses insetos, favorecendo a ocorrência de epidemias. Conheça a seguir as principais doenças causadas por mosquitos, seus sintomas e formas de prevenção.

Vilão global: o mosquito é considerado o animal que mais mata humanos

Embora pequeno e aparentemente inofensivo, o mosquito é o animal mais letal para os seres humanos. De acordo com o Instituto Butantan, esses insetos são responsáveis por centenas de milhares de mortes por ano, superando predadores como cobras, tubarões e até mesmo grandes felinos.

O motivo? Eles são vetores de diversas doenças graves, como dengue, zika, chikungunya, febre amarela, malária e leishmaniose. E, com as mudanças climáticas e a urbanização acelerada, a proliferação desses insetos se intensifica, aumentando o risco de epidemias, principalmente em países tropicais como o Brasil.

Principais doenças causadas por mosquitos

As doenças transmitidas por mosquitos variam em gravidade, mas todas podem ter impacto significativo na saúde individual e coletiva. A seguir, conheça as mais importantes no cenário brasileiro e mundial, com seus principais sintomas, formas de transmissão e medidas preventivas.

Dengue

Segundo dados do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, o Brasil já registrou, neste ano, até o momento, mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. Em 2024, foram 6,5 milhões, com 6.321 mortes confirmadas.

  • Transmissão: causada por vírus do gênero Flavivirus, transmitido principalmente pelo Aedes aegypti.
  • Sintomas: febre alta (acima de 38,5°C), dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos, fadiga, náusea e manchas vermelhas na pele. Em casos graves (dengue hemorrágica), pode haver sangramentos e queda acentuada de plaquetas.
  • Evolução: a forma clássica costuma durar de 5 a 7 dias, mas o cansaço pode persistir por semanas. Já a forma grave exige hospitalização imediata.
  • Prevenção: eliminação de criadouros (água parada), uso de repelentes, roupas compridas e instalação de telas de proteção em portas e janelas.

Zika vírus

Essa doença pegou o Brasil de surpresa com um surto entre 2015 e 2016. Parecida com a dengue, à primeira vista, a infecção chamou a atenção por ser associada ao aumento de casos de microcefalia, com as famílias lidando com as consequências até hoje. Apesar do maior entendimento que se têm do vírus atualmente, ainda foram registrados 3.700 casos prováveis de infecção este ano.

  • Transmissão: também pelo Aedes aegypti.
  • Sintomas: febre baixa, manchas na pele, coceira, dores nas articulações e conjuntivite sem secreção. Em alguns casos, os sintomas são tão leves que passam despercebidos.
  • Risco especial: a infecção em gestantes pode causar microcefalia e outras malformações congênitas no bebê.
  • Prevenção: mesmas medidas adotadas contra a dengue, com atenção redobrada para mulheres grávidas. Uso de mosquiteiros tratados com inseticida é recomendado em áreas de risco.

Chikungunya

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a possibilidade de mais uma grande epidemia global do Chikungunya no mundo. A doença - que não é amplamente conhecida e tem sintomas semelhantes aos da dengue e do Zika, dificultando seu diagnóstico - já foi detectada e transmitida em 119 países.

  • Transmissão: pelo Aedes aegypti e pelo Aedes albopictus.
  • Sintomas: febre alta de início súbito, dores articulares muito intensas (principalmente nos punhos, tornozelos e joelhos), manchas vermelhas e, às vezes, conjuntivite.
  • Evolução: as dores articulares podem persistir por meses, afetando a qualidade de vida.
  • Prevenção: uso constante de repelente, roupas que cubram braços e pernas, mosquiteiros e eliminação de focos de água parada.

Febre amarela

A OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) emitiram alertas recentes sobre o risco elevado de febre amarela para a saúde pública na região das Américas, especialmente no Brasil, que apresenta o maior número de ocorrências em 2025. O crescimento dos casos preocupa pesquisadores, que temem que a doença volte a ser transmitida pelo Aedes aegypti, o que não acontecia desde 1942.

  • Transmissão: pelo mosquito Haemagogus (ciclo silvestre) ou pelo Aedes aegypti (ciclo urbano).
  • Sintomas: febre alta, dores musculares, calafrios, dor de cabeça, fraqueza, icterícia (pele e olhos amarelados) e sangramentos.
  • Evolução: pode apresentar uma fase inicial de melhora aparente antes de evoluir para sintomas graves, como hemorragias e insuficiência hepática ou renal.
  • Prevenção: vacinação é a principal medida protetiva (uma única dose garante imunidade duradoura). Complementarmente, usar repelente e evitar áreas de surto.
Aedes aegypti
Pesquisadores temem que a Febre Amarela volte a ser transmitida pelo Aedes aegypti

Malária

No Brasil, 99% dos casos de malária se concentram na região amazônica, embora o mosquito transmissor viva em 80% do território nacional. O país registrou uma diminuição de 26,8% nos casos da doença no primeiro trimestre de 2025, mas a falta de diagnóstico ainda é um obstáculo para a eliminação do vírus.

  • Transmissão: pelo mosquito Anopheles, que carrega protozoários do gênero Plasmodium.
  • Sintomas: febre alta intermitente, calafrios intensos, sudorese, dores de cabeça e musculares, náuseas e vômitos.
  • Evolução: sem tratamento, pode causar anemia grave, problemas respiratórios e morte.
  • Prevenção: uso de mosquiteiros tratados com inseticida, repelentes e acompanhamento médico ao visitar áreas endêmicas.

Leishmaniose Visceral

A Leishmaniose Visceral é uma zoonose - o que significa que pode afetar tanto humanos quanto animais, especialmente cães - de evolução crônica, com acometimento sistêmico e, se não for tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. 

  • Transmissão: pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis).
  • Sintomas: febre prolongada, perda de peso, aumento do fígado e baço, anemia, fraqueza e, em casos graves, hemorragias.
  • Evolução: sem tratamento, a doença pode ser fatal em 90% dos casos.
  • Prevenção: uso de repelentes, proteção de animais domésticos (coleiras impregnadas com inseticida) e controle do vetor.

Filariose

A Filariose Linfática (Elefantíase) é uma doença parasitária crônica, considerada uma das maiores causas mundiais de incapacidades permanentes ou de longo prazo. No Brasil, a transmissão está restrita a uma área endêmica em quatro municípios de Pernambuco: Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista. No entanto, um conjunto de fatores precisa ocorrer para propiciar a infecção, como a presença de mosquitos e sua infecção com larvas. No final do ano passado, o Brasil recebeu um reconhecimento da Organização Pan-Americana de Saúde pelo esforço do SUS em eliminar a doença como problema de saúde pública.

  • Transmissão: pelo Culex quinquefasciatus.
  • Sintomas: obstrução dos vasos linfáticos, causando inchaço exagerado (elefantíase), dor e febre.
  • Situação atual no Brasil: a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) declarou, em 2024, que o Brasil eliminou a filariose linfática como problema de saúde pública. Contudo, o Ministério da Saúde informa que ainda há áreas endêmicas em Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista (PE).
  • Prevenção: evitar exposição a mosquitos em áreas de risco, saneamento básico e controle do vetor.

Como os mosquitos transmitem doenças?

Mosquitos são vetores biológicos, ou seja, carregam o agente causador da doença (vírus, protozoário ou parasita) e o transmitem ao picar. No momento da picada, a fêmea injeta saliva contendo substâncias anticoagulantes e, se estiver infectada, também o agente patogênico.

Por que só a fêmea pica?

A fêmea precisa de proteínas presentes no sangue para desenvolver seus ovos. Já o macho se alimenta exclusivamente de néctar e seiva de plantas.

O ciclo do mosquito vetor

  1. Ovos: depositados na água parada ou superfícies úmidas.
  2. Larvas: desenvolvem-se na água, alimentando-se de matéria orgânica.
  3. Pupas: estágio intermediário antes de se tornarem adultos.
  4. Adultos: as fêmeas buscam sangue; os machos, fontes de açúcar.

Esse ciclo pode ser completado em apenas 7 a 10 dias, o que explica a rápida multiplicação em condições favoráveis.

O que fazer ao apresentar sintomas

As doenças causadas por mosquitos podem ser fatais, por isso é importante ficar atento aos sintomas descritos anteriormente e procurar ajuda médica quando suspeitar de uma infecção.

Quando procurar ajuda médica

Qualquer febre acima de 38°C associada a dores intensas, manchas na pele, sangramentos, fadiga extrema ou sinais neurológicos exige atendimento médico imediato. No caso de viagens recentes para áreas endêmicas, informe o profissional de saúde.

A importância do diagnóstico precoce

Detectar a doença nos primeiros dias é essencial para iniciar o tratamento adequado e evitar complicações. Doenças como dengue grave, malária e febre amarela evoluem rapidamente, podendo levar à hospitalização ou óbito.

Não use medicamentos sem orientação

O uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios e aspirina, pode agravar quadros hemorrágicos, especialmente na dengue. A automedicação pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto.

O papel de cada um no combate ao vilão global

A prevenção é a arma mais eficaz contra doenças transmitidas por mosquitos. Medidas simples, como eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas d’água tampadas, limpar calhas e trocar a água de plantas aquáticas por areia, fazem enorme diferença, bem como a conscientização da comunidade.

Em caso de infestações, não hesite: chame os especialistas

Se você notar aumento de mosquitos em casa ou estiver em uma área endêmica, não corra riscos. A Rentokil oferece soluções seguras e eficazes para identificar, controlar e prevenir doenças causadas por mosquitos e atua em diversos estados do Brasil.

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