Os perigos da contaminação dos alimentos

A cada ano, mais de mil brasileiros são envenenados por consumir alimentos contaminados por bactérias. Existem muitas causas por trás da contaminação dos alimentos, como o mau preparo ou armazenamento, mas a presença de pragas no ambiente é um fator de risco crítico. 

As pragas - como ratos e pombos, por exemplo - transmitem doenças graves por meio de fezes e urina. Quando essas excreções entram em contato com os alimentos, estes são ingeridos por humanos - e isso acontece com mais frequência do que você imagina -, sujeitos a um alto risco de contrair uma FIB (Foodborne illness ou Doença contraída via alimentos). 

Junto com o risco à saúde representado por essas doenças, é importante estar ciente de como a reputação de sua empresa é afetada quando vinculada a um episódio de alimento contaminado. Portanto, é essencial estar ciente do papel do controle de pragas.

Perigos da contaminação bacteriana de alimentos

A presença de pragas em ambientes com alimentos coloca em risco a vida das pessoas. Pombos, por exemplo, embora pareçam inofensivos, transmitem mais de 60 doenças, incluindo:

  • Salmonelose: causa vômitos, náuseas, diarreia, febre, entre outros sintomas.
  • E. coli: causa diarreia, cólicas estomacais, náuseas e vômitos.

Algumas variações de Salmonella causam febre tifoide ou complicações graves com risco de vida. Em casos menos graves, a diarreia costuma persistir por até 10 dias, mas pode levar meses para o intestino se recuperar, afetando a qualidade de vida das pessoas.

Em 2024, a Anvisa proibiu a venda de lotes de balas da empresa Dori, distribuídas nacionalmente, por risco de contaminação por Salmonela. No mesmo ano, nos Estados Unidos, uma pessoa morreu e outras 50 ficaram doentes em 10 estados diferentes após consumirem hambúrgueres contaminados com E. coli na rede de fast food McDonald’s. O caso fez com que a empresa perdesse aproximadamente US$ 14 bilhões em valor de mercado.

E, se falamos de roedores, alimentos ou água contaminados com fezes são causadores de doenças, tais como:

  • Febre picada de rato: se não tratada, pode se transformar em uma infecção pulmonar, hepática e renal.
  • Hantavirose: síndrome pulmonar que afeta os pulmões, o coração e os rins das pessoas.

No Brasil, as infecções por Hantavirose ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura. A doença é grave: a taxa de letalidade média é de 46,5% e a maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar.

Intoxicação Alimentar

A intoxicação alimentar ocorre quando uma pessoa consome alimentos ou bebidas contaminados por micro-organismos nocivos, como bactérias, vírus ou parasitas, ou por toxinas produzidas por esses agentes.

Segundo a Anvisa, o Brasil registrou, entre 2007 e 2020, uma média anual de 662 surtos de doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA), com o envolvimento de 156.691 doentes, 22.205 hospitalizados e 152 óbitos.

Nos primeiros meses de 2025, os atendimentos por intoxicação alimentar cresceram 145% na região de Campinas e arredores, em São Paulo, geralmente envolvendo carne fora da validade ou armazenada de maneira incorreta.

Os sintomas variam de leves a graves e incluem náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, febre e mal-estar generalizado. Casos mais leves tendem a se resolver em poucos dias, mas situações mais severas -  especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido - podem exigir atenção médica imediata e até levar a complicações graves.

Outras doenças causadas por alimentos contaminados por bactérias

Diversas doenças podem ser causadas por bactérias nos alimentos, muitas delas associadas à presença de pragas urbanas, como ratos, baratas e moscas, que atuam como vetores de micro-organismos nocivos. Dentre elas, podemos citar:

  • Leptospirose: Causada pela bactéria Leptospira interrogans, a leptospirose é transmitida principalmente pela urina de roedores infectados. A contaminação de alimentos e, principalmente, da água potável pode ocorrer em ambientes com infestação de ratos, especialmente em áreas com higiene precária ou risco de alagamentos. A doença pode causar febre alta, dores musculares, insuficiência renal e, em casos graves, hemorragias e complicações hepáticas.
  • Cólera: Provocada pela bactéria Vibrio cholerae, a cólera é uma infecção intestinal aguda que causa diarreia intensa e desidratação severa. A transmissão ocorre pelo consumo de água ou alimentos contaminados com fezes humanas infectadas. A presença de moscas, que pousam em fezes e alimentos, pode contribuir para a disseminação da bactéria, especialmente em locais com saneamento deficiente.
  • Febre tifoide: Causada pela bactéria Salmonella Typhi, é uma infecção sistêmica transmitida por água e alimentos contaminados. Sua transmissão está ligada a más condições de higiene e pode ser agravada pela presença de pragas como moscas e baratas, que atuam como vetores mecânicos da bactéria.
  • Brucelose: Essa zoonose é causada por bactérias do gênero Brucella e pode ser transmitida ao ser humano pelo consumo de leite cru, queijos não pasteurizados e outros produtos de origem animal contaminados. A brucelose provoca sintomas prolongados, como febre intermitente, suores noturnos, dores articulares e fadiga. Animais de criação infectados são a principal fonte, mas ambientes contaminados também podem atrair moscas que ajudam a espalhar o patógeno.

Essas doenças reforçam a importância do controle de pragas e da vigilância sanitária rigorosa em todos os pontos da cadeia de produção e distribuição de alimentos.

Consequências de uma intoxicação alimentar: prejuízos para todos

A intoxicação alimentar, como vimos, pode ter efeitos severos tanto para a saúde do consumidor quanto para a credibilidade e estabilidade financeira de empresas do setor alimentício.

Do ponto de vista do consumidor, os sintomas geralmente surgem poucas horas ou dias após o consumo do alimento contaminado. Em casos leves, pode haver apenas desconforto gastrointestinal, como náuseas e diarreia. Mas em situações mais graves, a pessoa pode precisar de atendimento médico emergencial, internação hospitalar e, em populações vulneráveis, como crianças, idosos e imunocomprometidos, o quadro pode evoluir para complicações sérias, com risco de morte.

A partir do momento em que a origem da contaminação é identificada, o impacto sobre o estabelecimento responsável pode ser devastador. Autoridades de vigilância sanitária podem interditar o local para investigação e aplicação de medidas corretivas.

A empresa também pode ser responsabilizada judicialmente e obrigada a arcar com os custos médicos dos pacientes, além de multas, processos e, em casos mais graves, indenizações por danos morais e materiais.

Além dos prejuízos legais e operacionais, os danos à reputação são quase sempre imediatos. A divulgação de um caso de intoxicação alimentar envolvendo uma marca ou restaurante afasta consumidores, abala a confiança do público e compromete a imagem da empresa no mercado. A fidelidade dos clientes é difícil de reconquistar após um escândalo de segurança de alimentos.

Os reflexos financeiros também são significativos: produtos podem precisar ser recolhidos do mercado (recall), gerando perdas com estoques descartados, interrupção de vendas e custos logísticos. A produtividade da equipe também pode ser afetada, especialmente em empresas onde o problema gera instabilidade interna ou abalo na moral dos colaboradores.

Em resumo, a intoxicação alimentar não afeta apenas quem consome o alimento contaminado. Ela acarreta uma cadeia de prejuízos que envolve saúde pública, confiança do consumidor e sustentabilidade do negócio.

Boas práticas ajudam a prevenir a contaminação de alimentos

A prevenção é a chave para garantir a segurança dos alimentos e proteger a saúde dos consumidores. Em empresas do setor alimentício, como restaurantes, lanchonetes, padarias, indústrias de alimentos e estabelecimentos similares, a adoção de boas práticas na manipulação de alimentos é fundamental para evitar contaminações que podem resultar em intoxicações, perdas financeiras e danos à reputação.

Entre as principais boas práticas estão:

1. Higienização rigorosa de ambientes e utensílios

A higiene e desinfecção de superfícies, equipamentos e utensílios deve ser feita com frequência, especialmente entre a manipulação de diferentes tipos de alimentos, como carnes cruas e vegetais. Sem falar da higiene das mãos. Esses cuidados evitam a proliferação de bactérias e reduzem o risco de contaminação cruzada.

2. Armazenamento adequado dos alimentos

Manter os alimentos nas temperaturas recomendadas é essencial para impedir o crescimento de micro-organismos. Produtos devem ser armazenados em locais limpos, organizados, com identificação clara de validade e sem contato com substâncias químicas ou materiais não alimentares.

3. Treinamento constante dos manipuladores de alimentos

Toda equipe deve estar capacitada sobre práticas de higiene pessoal, manipulação segura de alimentos, uso correto de equipamentos de proteção individual (EPI) e procedimentos sanitários. Funcionários doentes ou com feridas expostas não devem ter contato direto com os alimentos.

4. Controle de pragas contínuo

Pragas como ratos, baratas e moscas são vetores reconhecidos de bactérias que causam doenças graves. Um programa de controle de pragas deve ser implementado de forma preventiva e contínua, com monitoramento periódico, aplicação de barreiras físicas, armadilhas e serviços profissionais especializados.

O controle de pragas não é apenas uma boa prática, é uma exigência legal. Estabelecimentos do setor alimentício precisam manter registros atualizados de dedetizações e laudos técnicos para apresentar às autoridades sanitárias quando solicitados. A negligência nesse aspecto pode levar à interdição do local, multas e outras sanções previstas na legislação.

Evite contaminações com a ajuda dos especialistas

Garantir ambientes livres de pragas é uma medida essencial para evitar contaminações, proteger a saúde dos consumidores e manter a reputação do seu negócio intacta. E esse trabalho precisa ser feito por empresas especializadas.

A Rentokil é referência mundial em controle de pragas e atua em diversos estados do Brasil com padrões internacionais de qualidade e conformidade. Nossos especialistas desenvolvem planos personalizados, utilizando tecnologias avançadas de monitoramento e análise de riscos, sempre com foco na prevenção e no suporte completo às auditorias sanitárias.

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