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O inverno é, para muitas pragas, um período de adaptação, não de descanso. Embora as temperaturas mais baixas possam reduzir a atividade de certos insetos, outras espécies aproveitam a mudança climática para invadir casas, comércios e indústrias em busca de abrigo, alimento e calor.
O inverno no Brasil apresenta diferentes características climáticas de acordo com a região. Enquanto no Sul e Sudeste as temperaturas caem drasticamente, em outras partes do país, como Norte e Nordeste, a estação é marcada por chuvas intensas ou clima ameno. Essas variações influenciam diretamente o comportamento e a presença de pragas.
Conhecer as pragas mais comuns no inverno em cada região ajuda na adoção de medidas preventivas e na escolha do melhor momento para o controle. Veja a seguir quais pragas tendem a ser mais frequentes durante essa época e por que é importante manter - ou até redobrar - os cuidados mesmo nos meses mais frios.
O inverno na Região Sul é o mais rigoroso do país. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam temperaturas que frequentemente ficam abaixo dos 10 °C e altos índices de umidade, especialmente em áreas próximas a serras e ao litoral. Esse cenário faz com que muitas pragas deixem seus abrigos naturais para buscar calor e alimento em ambientes internos.
Ratos e camundongos tornam-se uma das principais preocupações nessa época. Ao sentirem a queda de temperatura, procuram abrigo e comida dentro de residências, depósitos e galpões. Entram por frestas e aberturas em busca de locais aquecidos, armazenando alimento e formando ninhos.
Cupins subterrâneos costumam se enterrar mais fundo no solo nos meses frios, mas permanecem ativos, especialmente em regiões onde o solo retém umidade. Como vivem escondidos, sua presença pode passar despercebida por meses, enquanto atacam estruturas de madeira. A combinação de frio e umidade intensa exige atenção redobrada na vedação de ambientes e na inspeção de áreas estruturais.
Aranhas e escorpiões, embora tenham metabolismo mais lento no frio, ainda são encontrados dentro de casas, especialmente em locais pouco movimentados, como sótãos, atrás de armários ou caixas empilhadas, podendo causar acidentes em qualquer estação do ano, inclusive no inverno. O Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina, por exemplo, registrou recordes de capturas de animais peçonhentos em anos recentes, quando o inverno teve temperaturas mais amenas.
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É bom avisar que, em casos de picadas de animais peçonhentos, você deve lavar o local com água e sabão e remover acessórios como anéis ou pulseiras. Se a pessoa estiver consciente, ofereça água, eleve o membro afetado e encaminhe a vítima ao Pronto Socorro. Se possível, leve o animal (mesmo morto) para identificação.
Com invernos menos rigorosos do que o Sul, o Sudeste apresenta clima ameno e seco em boa parte das áreas urbanas. Em grandes centros, o efeito de urbanização mantém temperaturas mais elevadas. De fato, os meteorologistas já preveem um inverno com temperaturas elevadas na Região Sudeste este ano, favorecendo a atividade contínua de pragas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Baratas, especialmente as espécies de baratas Periplaneta americana e Blatella germanica, continuam se reproduzindo mesmo durante o inverno. Se escondem em locais aquecidos, como cozinhas, forros de banheiro, caixas de gordura e ralos. A redução da umidade relativa do ar pode até estimular sua movimentação em busca de fontes de água.
Mosquitos: como eles costumam estar mais associados ao calor, muita gente acaba relaxando os cuidados no inverno. Por isso, as autoridades locais costumam emitir alertas de que a prevenção a doenças causadas por mosquitos precisa continuar mesmo no inverno, pois nessa época eles continuam se reproduzindo.
Formigas urbanas mantêm-se ativas dentro de residências, onde encontram alimentos com facilidade. As trilhas em cozinhas e despensas permanecem comuns, sobretudo em imóveis que não adotam práticas de higiene rigorosas.
Ratos, como o rato de telhado (Rattus rattus) e o rato de esgoto (Rattus norvegicus), continuam se locomovendo com facilidade em ambientes urbanos, usando redes de esgoto, galerias pluviais e lixeiras mal armazenadas como corredores naturais.
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O inverno em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal é marcado pela estiagem e pela baixa umidade relativa do ar. Essa condição leva muitas pragas a alterarem seus comportamentos, buscando fontes alternativas de água e abrigo em áreas habitadas.
Escorpiões são uma ameaça crescente, principalmente em regiões urbanizadas onde há terrenos baldios, entulho, lixo acumulado e esgotos com baratas, seu principal alimento. Eles são a principal causa dos acidentes com animais peçonhentos em Mato Grosso do Sul, mesmo fora da temporada de maior calor e chuvas. De acordo com a Secretaria de Estado e Saúde, entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, foram registrados 6.101 acidentes com escorpião em Mato Grosso do Sul.
Pernilongos, apesar da seca, permanecem presentes em áreas ribeirinhas, canais de irrigação e represas, onde a água parada garante as condições para sua reprodução. Isso é especialmente relevante em regiões como Pantanal e áreas urbanas próximas a cursos d’água.
Formigas cortadeiras, como as saúvas, continuam ativas no inverno, principalmente em áreas rurais e de transição urbana. Atacam hortas, jardins e plantações, prejudicando a vegetação e podendo invadir estruturas em busca de abrigo.
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No Nordeste, o inverno não é sinônimo de frio. Em muitas áreas, as temperaturas permanecem elevadas, com pouca variação ao longo do ano. A umidade relativa do ar tende a cair em determinadas sub-regiões, mas ainda assim o clima permanece propício à presença de pragas urbanas.
Mosquitos e pernilongos, incluindo o Aedes aegypti, que transmite arboviroses como dengue, zika e chikungunya, são comuns mesmo nos meses mais secos, como alerta o Ministério da Saúde. Regiões com acúmulo de água parada continuam favorecendo sua reprodução.
Cupins de madeira seca são uma ameaça recorrente, atacando móveis, vigas, portas e outras estruturas de madeira. Como não dependem de contato com o solo ou umidade elevada, permanecem ativos em qualquer estação.
Baratas, embora prefiram clima quente, são altamente adaptáveis e continuam presentes durante o inverno, aproveitando a estabilidade climática para se abrigar em cozinhas, ralos e ambientes com resíduos orgânicos, como alerta a Folha de Pernambuco no link acima.
E atenção: como o Nordeste é um destino turístico bastante popular no Brasil, vale lembrar também que imóveis de veraneio ou casas de praia que ficam fechadas por longos períodos no inverno merecem atenção especial, pois se tornam propícios à proliferação de pragas na ausência de manutenção regular.
Aqui, vale um esclarecimento importante: enquanto o resto do Brasil está no inverno, a Região Norte está entrando no chamado “Verão Amazônico”, que vai de julho a novembro e é marcado por temperaturas bastante elevadas e chuvas abaixo da média. Portanto, o período do ano que os habitantes da região chamam de inverno, ou “Inverno Amazônico”, vai de dezembro a maio e é marcado por chuvas intensas.
Mosquitos (ou “Carapanãs”, como são chamados na região) como o Aedes aegypti (que transmite a Dengue) e o Anopheles (vetor da malária), se mantêm em níveis elevados na região devido à grande quantidade de água acumulada em áreas urbanas e rurais. A combinação de chuva e calor cria o ambiente ideal para reprodução desses vetores. Por isso, as autoridades costumam intensificar o combate a criadouros de mosquitos nessa época.
Ratos também se tornam uma ameaça à saúde dos habitantes da região durante o inverno, pois as chuvas constantes alagam galerias subterrâneas e esgotos, fazendo com que os ratos fujam para a superfície, infiltrando-se em casas e comércios. Devido a isso, a Leptospirose, doença transmitida através da urina dos ratos, acaba sendo considerada uma das doenças típicas do inverno amazônico.
Animais peçonhentos - como algumas espécies de serpentes, aranhas, escorpiões e centopeias -, também procuram lugares secos para se abrigar durante o período chuvoso na Região Norte, oferecendo risco às pessoas e animais domésticos.
No primeiro trimestre de 2025, o Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS), de Santarém, no Pará, registrou 148 atendimentos envolvendo animais peçonhentos, um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2024. Os maiores aumentos foram observados nos acidentes com escorpiões, que quase dobraram. Por isso, é recomendado sacudir roupas, lençóis e sapatos antes de usá-los, além de optar por calçados fechados na rua ou botas de cano alto em áreas alagadas.
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