808 21 08 08 Ligue-nos Contacte-nos

Normas BRCGS Edição 9 e IFS Food V8: o que o Sector da Indústria Alimentar na UE precisa saber

Continuar

Resumo:

  • O Sector da Indústria Alimentar na UE deve transitar para uma Gestão Integrada de Pragas (GIP) com base em dados, ao abrigo do Pacto Ecológico Europeu e das actualizações das normas BRCGS (Edição 9) e IFS Food (V8).
  • Os novos requisitos exigem uma análise contínua de tendências, uma análise da sua causa robusta e a relação entre os avistamentos de Pragas e a integridade das Instalações.
  • O portal myRentokil fornece os relatórios digitais necessários, registos de auditoria imediatos e análise de dados para garantir a conformidade e assegurar que a sua Empresa está preparada para qualquer auditoria.

Na Europa, a Segurança Alimentar é regida por uma combinação complexa de regulamentos legais e normas de segurança comercial voluntárias (mas exigidas pelo Mercado). Esta combinação garante que os alimentos sejam produzidos, processados e distribuídos com segurança, "do Prado ao Prato".

Quais são os requisitos legais para o processamento de alimentos na Europa?

Não é permitido vender alimentos legalmente na Europa se não forem cumpridos os requisitos do Regulamento (CE) n.º 178/2002 (Lei Geral Alimentar) e do Regulamento (CE) n.º 852/2004 (Higiene). Estas leis tornam obrigatório o sistema HACCP (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controlo), cuja conformidade é rigorosamente fiscalizada em Portugal pela ASAE.

A estratégia de sustentabilidade da Europa, com o Pacto Ecológico Europeu (2019), tem como objectivo tornar a Europa o primeiro Continente climaticamente neutro, forçando os legisladores e as normas privadas a priorizar a sustentabilidade. Um resultado directo disso foi uma interpretação mais rigorosa do Regulamento (CE) n.º 852/2004. O Anexo II exige que "as Pragas devem ser controladas". Após o Pacto Ecológico, a interpretação de "controlo" afastou-se das pulverizações de rotina para passar à Gestão Integrada de Pragas (GIP), de forma a alinhar-se com a meta de redução de 50% no uso de pesticidas.

Normas comerciais de fabrico de alimentos

Sobre esta base legal, assentam as normas comerciais reconhecidas pela Global Food Safety Initiative (GFSI). Embora sejam tecnicamente voluntárias, estas Normas são praticamente obrigatórias para os fabricantes de alimentos que pretendem fornecer os grandes retalhistas a nível Mundial.

Estas Normas incluem:

  • BRCGS (Brand Reputation through Compliance Global Standard): Dominante no Reino Unido e muito utilizada para exportações Globais, é uma norma altamente prescritiva. Exige documentação meticulosa, incluindo contratos de Serviço minuciosos, mapas detalhados das Instalações, evidências da competência dos Técnicos e uma revisão biológica anual realizada por um Especialista.
  • IFS Food (International Featured Standards): Dominante na Europa continental (como na Alemanha, França, e Itália), esta Norma baseia-se fortemente no risco. Os auditores exigem dados extensos e análise de tendências para provar que os sistemas de segurança estão a funcionar de forma dinâmica. Para qualquer problema significativo, exige uma Análise de Causa Raiz (RCA - Root Cause Analysis) documentada.
  • FSSC 22000: Uma Norma Global B2B baseada na ISO 22000, utilizada por grandes fabricantes que desejam integrar a Segurança Alimentar nos sistemas de gestão de qualidade ISO já existentes.
  • AIB (American Institute of Baking): Uma norma operacional popular entre multinacionais de origem Norte-Americana, que apresenta Inspecções físicas altamente rigorosas, focadas na Higiene e na exclusão física de Pragas.

Em 2022-2023, foram publicadas actualizações importantes às Normas industriais BRCGS e IFS Food para as alinhar com os objectivos do Pacto Ecológico, priorizando a Gestão Integrada de Pragas (GIP) em detrimento dos tratamentos químicos. Embora ambas sejam reconhecidas globalmente pela GFSI, as suas abordagens ao Controlo de Pragas, particularmente no que toca a relatórios, apresentam diferenças significativas.

Compreender as actualizações destas Normas e as diferenças entre elas é uma parte crítica para a aprovação nas suas auditorias. A Rentokil possui a experiência e o conhecimento necessários para proteger a sua Marca e garantir que o Controlo de Pragas que fornecemos no local cumpre as exigências específicas de cada Norma comercial.

BRCGS food safety standards

O que o Sector da Indústria Alimentar deve saber sobre a 9.ª edição da BRCGS?

Em Agosto de 2022, a BRCGS publicou a Edição 9 da sua Norma Global para a Segurança Alimentar, reconhecida internacionalmente. A transição da Edição 8 para a Edição 9 não foi uma reformulação total, mas reforçou significativamente o foco na cultura de Segurança Alimentar, oferecendo uma estrutura clara para a gestão da segurança, integridade, legalidade e qualidade do produto.

Principais diferenças entre a Edição 8 e a Edição 9 da norma BRCGS

Embora muitas cláusulas permaneçam inalteradas, as quatro áreas seguintes apresentam as mudanças mais críticas para os Gestores de Qualidade:

1. Cultura de Segurança Alimentar (Cláusula 1.1.2)

Se a Edição 8 introduziu o conceito, a Edição 9 tornou-o mensurável. As indústrias devem agora ter um plano claro que inclua actividades definidas, um cronograma e uma revisão formal da eficácia com que a cultura está a ser implementada em todos os níveis da Equipa.

2. Higiene Operacional e Equipamentos (Secção 4.6)

Esta foi uma das actualizações técnicas mais relevantes. Os Equipamentos devem agora cumprir requisitos de design higiénico mais rigorosos. Os equipamentos de Controlo de Pragas (como Insectocaçadores) devem ser fáceis de limpar e posicionados de forma a não representarem um risco de contaminação.

3. Análise de Causa Raiz e Ações Correctivas e Preventivas (Cláusula 2.11.3)

A Edição 9 vai além da simples resolução do problema, focando-se em garantir que este não volte a ocorrer. Existe uma ênfase muito maior na Análise de Causa Raiz (RCA). Os auditores procuram agora investigações mais profundas (metodologia "5 Whys" / "5 Porquês?") para qualquer tendência de não conformidade, em vez de analisarem apenas incidentes isolados.

4. Gestão Integrada de Pragas (GIP) Obrigatória (Cláusula 4.14)

Embora a Cláusula 4.14 tenha sido sempre um pilar da BRCGS, a Edição 9 elevou o padrão: já não basta "ter um contrato de Controlo de Pragas", é necessário demonstrar um sistema proactivo de Gestão Integrada de Pragas (GIP) de elevado padrão. Isto inclui a análise obrigatória de tendências (Cláusula 4.14.2) e a utilização desses dados para gerar a Análise de Causa Raiz (RCA). Se uma área específica mostrar um aumento de actividade (mesmo abaixo do limite crítico), deverá documentar a investigação e a ação preventiva tomada.

BRCGS food safety standards

O que deve o Sector da Indústria Alimentar saber sobre a IFS Versão 8?

A IFS Food Versão 8 tornou-se obrigatória para todas as auditorias a 1 de Janeiro de 2024. Enquanto a Versão 7 se focou no alinhamento com os padrões do GFSI 2020, a Versão 8 foi desenhada para agilizar o processo de auditoria, reforçar a Cultura de Segurança Alimentar e alinhar-se mais estreitamente com os novos princípios gerais de Higiene Alimentar do Codex Alimentarius.

As principais diferenças entre a V7 e a V8 da IFS Food

A actualização introduziu várias mudanças na forma como uma unidade de produção alimentar é avaliada. Tal como na BRCGS Edição 9, a transição para a V8 reflecte a mudança global em direção à GIP (Gestão Integrada de Pragas) e à transparência digital.

1. Monitorização baseada no risco (Cláusula 4.13.1)

A V8 coloca uma responsabilidade maior na avaliação de risco específica da unidade. Não é permitido ter um programa de Controlo de Pragas "genérico". O sistema de monitorização (número de armadilhas, tipo de isco, frequência de Visitas) deve ser explicitamente justificado por uma avaliação de risco que considere o alimento específico produzido e o ambiente circundante.

2. Competência do Técnico de Controlo de Pragas (Cláusula 4.13.2)

A IFS V8 clarifica quem pode realizar as Inspecções. Se a Empresa utilizar um fornecedor de Serviços externo (como a Rentokil), o contrato deve definir claramente as responsabilidades e as qualificações técnicas da pessoa que executa o Serviço. Se a Empresa realizar o Serviço internamente, a formação deve ser robusta e estar devidamente documentada.

3. Análise Contínua de Tendências (Cláusula 4.13.5)

A análise de tendências deixou de ser um relatório estático no final do ano. A unidade deve agora monitorizar as tendências de forma contínua. Se os dados mostrarem um aumento na actividade de Pragas, as acções correctivas devem ser iniciadas imediatamente. É aqui que o myRentokil se torna essencial, pois fornece dados de tendências em tempo real que satisfazem o requisito de monitorização "contínua" da V8.

4. Integridade das Instalações

A V8 associa o Controlo de Pragas mais estreitamente à infraestrutura da fábrica. Os auditores irão agora ligar de forma mais rigorosa o avistamento de uma Praga a uma falha estrutural. Se um Roedor for capturado, o auditor esperará ver um registo de manutenção que comprove que o ponto de entrada foi reparado como parte do processo de CAPA (Ações Correctivas e Acções Preventivas).

Conclusão:

Na Rentokil, compreendemos a pressão que estas normas actualizadas exercem sobre os produtores e fabricantes alimentares Europeus. As actualizações em ambas as Normas demonstram uma mudança clara da simples conformidade para uma GIP (Gestão Integrada de Pragas) mais proactiva, mensurável, sofisticada e baseada em dados.

Isto traduz-se numa monitorização contínua, análise de tendências em tempo real e numa ligação proactiva entre os resultados do Controlo de Pragas e a integridade e design do edifício, o que significa que os dossiês em papel estão a tornar-se um risco para a conformidade. A nossa plataforma de relatórios digitais, myRentokil, foi concebida tendo em conta as exigências da BRCGS e da IFS.

Para a BRCGS, o sistema fornece um registo de auditoria organizado e instantaneamente acessível com todos os detalhes exigidos por um auditor. Para a IFS, gera relatórios de tendências personalizáveis, gráficos e análise de dados. Além disso, os nossos Field Biologists estão formados para realizar as Análises de Causa Raiz necessárias, garantindo que os seus registos de CAPA (Ações Correctivas e Preventivas) sejam robustos e baseados em evidências.

Quer necessite de um rasto documental meticuloso ou de dados analíticos sólidos, a Rentokil garante que a sua documentação de Controlo de Pragas está sempre pronta para qualquer Auditoria.

Ainda não é nosso Cliente? Peça já a sua Inspecção Gratuita.

Controlo de Pragas Digital

Gestão e monitorização digital de Pragas 24 horas por dia, 7 dias por semana

  • Sistema proactivo e digital de Controlo de Pragas que monitoriza constantemente, reage imediatamente e informa directamente
  • Alertas em tempo real e informações com base em dados para ajudar a reduzir os riscos e informar as medidas preventivas
  • Controlo de Pragas com resposta rápida pela Equipa de Serviço local
Saber mais

Glossário

BRCGS (Brand Reputation through Compliance Global Standard): É uma norma de segurança global prescritiva (anteriormente BRC), predominante no Reino Unido e na Irlanda.

CAPA (Corrective and Preventive Action): Corresponde a um processo de gestão de qualidade estruturado e focado na regulamentação, utilizado para identificar, investigar e resolver problemas existentes (acção correctiva) e prevenir potenciais problemas (acção preventiva).

GFSI (Global Food Safety Initiative): É uma organização que estabelece os parâmetros de referência (benchmarks) para normas como a BRCGS e a IFS, de forma a garantir o seu reconhecimento Global e consistência.

IPM (Integrated Pest Management): Refere-se a uma estratégia baseada no ecossistema que se foca na prevenção a longo prazo (exclusão e higiene) em detrimento do uso de produtos químicos.

IFS (International Featured Standards): É uma norma de segurança baseada no risco, predominante na Europa Continental (Alemanha, França e Itália).

RCA (Root Cause Analysis): Consiste num processo sistemático utilizado para identificar a razão subjacente a uma ocorrência de Pragas, em vez de tratar apenas o sintoma.

Artigos relacionados