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À medida que nós, Seres Humanos, nos apoderamos e expandimos as nossas actividades no que resta do ambiente natural, temos um contacto cada vez mais próximo com mais Espécies de Roedores e com as doenças transmitidas por estes.
Para além dos Ratos e Ratazanas, existem outros Roedores bem conhecidos que podem entrar em contacto com o Ser Humano e transmitir doenças, tais como os Cães da Pradaria, Marmotas, Esquilos, Lemingues e Toupeiras.
Na verdade, os Roedores são considerados como responsáveis por mais mortes do que todas as guerras ao longo dos últimos 1.000 anos.
Os Roedores podem transportar uma grande variedade de organismos patogénicos, incluindo muitas espécies de bactérias, vírus, protozoários e helmintos (vermes).
Os Ratos e outros Roedores podem transmitir mais de 35 doenças, incluindo Leptospirose, Salmonela e Hantavírus. A transmissão ocorre por contacto com a sua urina, fezes ou saliva, ou indirectamente, através de alimentos contaminados ou picadas de Insectos infectados. Continue a ler o Blog para conhecer em pormenor as suas características.
Os Roedores também podem transportar vários parasitas e doenças ao mesmo tempo.
Os Roedores actuam como vectores de muitas doenças através dos seus ectoparasitas como Pulgas, Carraças, Piolhos e Ácaros, bem como algumas doenças transportadas pelos Mosquitos.
Num estudo efectuado em Ratazanas em Explorações Agrícolas no Reino Unido, foram encontrados 13 parasitas zoonóticos (infectam os Seres Humanos) e 10 parasitas não zoonóticos, com algumas Ratazanas a terem 9 parasitas zoonóticos em simultâneo.
Muitos destes raramente ou nunca foram previamente investigados em Ratazanas selvagens (Cryptosporidium, Pasteurella, Listeria, Yersinia, Coxiella e Hantavirus), mostrando que a ameaça para a saúde Humana é maior do que se imaginava.
Os Roedores podem transportar bactérias Salmonella que causam doenças em Seres Humanos e animais de estimação. A infecção ocorre através da ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes de Roedores.
Estudos genéticos da Salmonella mostram que esta é extremamente complexa e como tal, não tem uma classificação simples. Há duas espécies reconhecidas e várias subespécies e subtipos, chamados serovares:
Os sintomas surgem 12 a 72 horas após a se contrair a infecção e são os seguintes:
A maioria das pessoas recupera em poucos dias sem outro tratamento para além da reposição de líquidos perdidos pelo corpo.
Assim que uma pessoa é infectada, a doença é facilmente transmitida para outras pessoas devido a uma má higiene das mãos e más condições de higiene no geral.
Uma invulgar fonte de infecção de Salmonella foi registada nos Estados Unidos em 2014. Um surto de Salmonella Typhimurium foi atribuída pelo Centro de Controlo de Doenças dos EUA (US Centers for Disease Control — CDC) a Roedores congelados fornecidos por uma Empresa de alimentos para animais de estimação, para alimentar Répteis e Anfíbios.
Uma estirpe de Salmonella, S. Typhi, provoca infecções mais graves e propaga-se a partir do intestino para os sistemas sanguíneos e linfáticos e, de seguida, para outros locais do corpo.
A Febre Tifóide (nome completo: Salmonella enterica subsp. enterica serovar Typhi) é endémica em muitos Países em vias de desenvolvimento, onde a falta de higiene é generalizada, afectando 27 milhões de pessoas por ano, especialmente crianças.
Os Seres Humanos são o único animal infectado por esta estirpe, sendo portanto improvável de ser transmitida por Ratazanas, a menos que estas entrem em contacto directo com fezes de Seres Humanos, como pode suceder, por exemplo, em sistemas de esgotos.
A Febre Tifóide pode ser tratada com os antibióticos e as vacinas que estão disponíveis para dar protecção contra esta infecção.
A Leptospirose é uma infecção causada por espécies de bactérias Leptospira. Como se apanha Leptospirose? É contraída a partir da urina de animais infectados, os quais incluem os Roedores e também Bovinos, Suínos e Cães.
Os Seres humanos podem ser infectados por:
Qual é a fisiopatologia da Leptospirose? As bactérias do género Leptospira vivem no interior dos rins do animal e são passadas para o exterior na urina. As bactérias entram no organismo através de lesões na pele ou das mucosas, como olhos, nariz e boca. Disseminam-se pela corrente sanguínea, danificando vasos e causando inflamação, o que leva a graves danos em órgãos vitais como os rins, fígado e pulmões.
A Leptospirose ocorre em zonas temperadas e tropicais, mas é mais comum em áreas tropicais e subtropicais, onde a temperatura e a humidade são mais favoráveis ao seu crescimento.
O risco de contágio é baixo para a maioria das pessoas. No entanto, pessoas com profissões ou actividades que tenham contacto com animais ou fontes de água doce têm um risco mais elevado.
Profissões e actividades de maior risco
Os sintomas da Leptospirose surgem cerca de 7 a 14 dias após a infecção e podem incluir leves a graves sintomas gripais, tais como:
A Leptospirose pode ser tratada com antibióticos.
Em cerca de 10% dos casos de Leptospirose, existe uma forma ainda mais grave que se desenvolve, a chamada de Doença de Weil. Esta pode provocar falência de órgãos, hemorragias internas e morte.
É necessário tratamento urgente num Hospital onde existam ventiladores mecânicos, tratamento de hemodiálise, antibióticos e fluídos intravenosos.
A Estreptobacilose é causada pelas bactérias Streptobacillus moniliformis e Spirillum minus.
Em Roedores infectados, as bactérias estão presentes nas fezes, na urina, e nas secreções da boca, nariz e olhos.
É geralmente causada por Mordeduras ou arranhões de Ratazanas infectadas, ou outros Roedores como os Ratos, Esquilos ou Gerbilos. Também se pode contrair esta doença ao interagir com animais infectados e ingerir alimentos ou bebidas contaminadas com fezes ou urina dos mesmos.
Os sintomas desta doença diferem consoante as bactérias.
Para além destes sintomas, complicações mais sérias podem provocar:
Ambas as infecções podem ser tratadas com antibióticos.
Os relatos de Estreptobacilose são raros na Europa e na América do Norte, mas, como não é exigido que se relate a doença, ela pode ser sub-relatada.
A Peste é a doença mais associada a Ratazanas, causando muitas epidemias ao longo da História e acabando com grandes proporções das populações. Difundiu-se ao longo da antiga Terra e mar por intermédio das rotas de comércio e em ambientes urbanos com as suas densas populações Humanas.
A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, que transita entre os Roedores e as Pulgas. Várias espécies de Roedores são reservatórios de longo prazo da bactéria da Peste no estado selvagem.
Na Rússia, as principais espécies que se julgam serem portadoras da Peste são as Marmotas que vivem nos Steppes.
No Oeste dos Estados Unidos, sabe-se actualmente que várias espécies de Roedores transportam as bactérias - causando mesmo casos de colapsos nas colónias de Cães da Pradaria.
O Departamento de Saúde Pública da Califórnia tem um programa de vigilância da Peste em que são testados Roedores selvagens para se aferir se têm a doença. É produzido um mapa, com Roedores testados com resultados positivos, em locais onde eles sejam susceptíveis de interagir com pessoas (por exemplo, parques de campismo).
Os sintomas dependem da forma como a doença é transmitida.
A Peste é tratável com antibióticos.
É importante obter um diagnóstico e tratamento rápido pois a morte pode ocorrer rapidamente. Na Peste Bubónica a morte pode ocorrer em menos de duas semanas.
Com a Peste Septicêmica a morte pode ocorrer antes dos sintomas aparecerem, e com a Peste Pneumónica todos os pacientes não tratados morrem. As possíveis causas, como picadas de Pulgas e visitas a áreas endémicas devem ser transmitidas ao Médico.
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Muitas espécies de Roedores transportam o Hantavírus, principalmente os Ratos Toupeiros e os Ratos.
Diferentes espécies transportam diferentes vírus cuja virulência varia, mas que apresentam sintomas semelhantes aos da Gripe.
Os Seres Humanos podem contrair a doença através do contacto com urina de Roedores, saliva e fezes, através do toque, alimentos ou bebidas contaminadas, ou por respirar partículas aerossolizadas.
Existe uma infecção grave que é causada pelo vírus Hantaan e que existe na China, na República Democrática Popular da Coreia, na República da Coreia e no extremo Leste da Rússia. Esta infecção é propagada pelo Rato do Campo de Pescoço Amarelo.
Na Europa, o principal portador é o Rato Toupeiro, que hospeda o vírus Puumala, a causa de uma forma relativamente leve de febre hemorrágica com síndrome renal (HFRS). A Finlândia, países da ex-Jugoslávia, Suécia, Bélgica, França, Alemanha, Grécia e a Holanda relatam um número significativo de casos anualmente.
O vírus Dobrava, que provoca uma grave forma de HFRS, está presente no sul da Europa, hospedado pelo Rato do Campo de Pescoço Amarelo. O mais suave vírus Saaremaa é também hospedado pelo Rato do Campo de Pescoço Amarelo na Estónia e nas proximidades da Rússia.
Na América muitas espécies de Hantavírus têm sido identificadas em Roedores. O mais importante destes é o vírus Sine Nombre que é hospedado pelos Roedores do género Peromyscus no Canadá, no México e nos Estados Unidos. Provoca a Síndrome Pulmonar por Hantavírus, que tem uma elevada taxa de mortalidade.
A Tularemia é causada pela bactéria Francisella tularensis, a qual possui várias estirpes que podem variar em virulência e abrangência geográfica.
Taxonomicamente é classificada no grupo das bactérias intracelulares primitivas que inclui a Listeria, a Legionella, a Brucella, a Coxiella e a Rickettsia. Trata-se de um ramo isolado de bactérias primitivas, tendo apenas uma outra espécie da família Francisellaceae: F. philomiragia. No entanto, a análise genética pode levar a que novas espécies sejam classificadas.
Ela está presente numa ampla faixa geográfica por todo o Hemisfério Norte.
Vectores
A Tularemia infecta ou é hospedada por um grande número de Mamíferos e Artrópodes.
Roedores
Os Roedores hospedeiros de Tularemia são os Ratos, Ratazanas, Ratos Toupeiros, Ratos Almiscarados, Castores, Esquilos, Lemingues e Hamsters. Os Coelhos e as Lebres também são portadores comuns da doença.
Surtos em Seres Humanos relacionam-se com os picos de populações de Roedores e Lebres.
Carraças e Pulgas
A bactéria foi encontrada em muitas espécies de Carraças e Pulgas, mas o nível de infecção varia, pelo que a importância que cada uma desempenha na infecção Humana não é ainda clara.
Mosquitos
Entre os Mosquitos, as espécies Aedes, Culex e Anopheles são conhecidas por transmitir a doença.
Picadas de Moscas
Entre as Moscas que picam, a Mosca dos Estábulos (Tabanus spp. e Chrysozona spp.) e as Moscas da Espécie Chrysops podem contrair a doença de animais de criação e propagar a infecção entre outros.
As bactérias de Tularemia podem penetrar no organismo humano através da pele, olhos, boca, garganta ou pulmões. Isto pode ocorrer por meio de:
Não existem casos conhecidos de transmissão entre Humanos (o que, na realidade, é visto como uma vantagem na guerra biológica, restringindo a infecção para a população alvo) ou da transmissão directa de um Humano para outro por artrópodes (Pulgas, Carraças, Mosquitos e Moscas).
No entanto, devido ao pequeno número de bactérias necessárias para causar uma infecção, é uma das doenças mais infecciosas que se conhece.
Os sintomas variam de acordo com a via de transmissão da infecção, mas existe sempre o aparecimento de febres em todos os casos:
Os sintomas duram várias semanas e podem ser facilmente confundidos com outras doenças, uma vez que a Tularemia é relativamente rara.
A Tularemia responde a um conjunto de antibióticos. Sem tratamento, pode-se alastrar a vários orgãos, como pulmões, baço, fígado e sistema linfático.
A Bartonelose é causada por várias espécies de bactérias Bartonella, algumas das quais podem ser transportadas por Roedores e que causam uma grande variedade de sintomas.
A doença pode ser transmitida entre animais por artrópodes que piquem como as Carraças, Pulgas, Piolhos e Mosquitos.
A espécie mais conhecida é a B. Quintana, que foi a causadora da Febre das trincheiras durante a Primeira Guerra Mundial e foi propagada pelo Piolho do corpo. No entanto, esta espécie não é conhecida por ter um reservatório animal.
A Bartonella elizabethae tem sido encontrada em Ratazanas na América, Ásia e Europa. Várias outras espécies que podem infectar os Seres Humanos têm sido encontradas em Esquilos e Ratos da espécie Peromyscus nos Estados Unidos e em Roedores selvagens na Europa.
Os pacientes com estas infecções têm apresentado sintomas de inflamação cardíaca (Endocardite, Miocardite) e de doenças oculares (Neurorretinite).
O tratamento é efectuado com antibióticos.
Os Arenavírus constituem um género de vírus primitivos, dos quais pelo menos oito espécies são conhecidas por provocar doenças graves em Seres Humanos que geralmente têm febres agudas e doenças hemorrágicas. Algumas, como a Febre de Lassa, têm uma elevada taxa de mortalidade.
Cada uma destas espécies de vírus está associada a uma determinada espécie de Roedor, geralmente numa região geográfica localizada. Elas são divididas em dois grupos denominados “Velho Mundo” e “Novo Mundo”, dependendo de onde foram descobertas, mas também diferem geneticamente.
Não existe vacina nem tratamento específico para estas doenças e a sua biologia não é bem compreendida. Elas são transmitidas aos Seres Humanos através do contacto com alimentos, objectos contaminados com excrementos de Roedores ou, através da inalação de partículas contaminadas em casa, nas fábricas ou áreas agrícolas.
Algumas são conhecidas por serem transmitidas de pessoa para pessoa, com o contacto directo com sangue ou fluídos corporais de uma pessoa infectada, ou objectos infectados, tais como equipamentos médicos num Hospital.
A Toxoplasmose é uma infecção muito comum causada pelo protozoário Toxoplasma gondii.
Nos Estados Unidos, o CDC estima que cerca de 22% da população tenha sido infectada, enquanto no Reino Unido, o NHS estima que mais de 350.000 pessoas podem ter sido infectadas.
O principal hospedeiro é o Gato Doméstico, mas os Roedores e outros pequenos animais são hospedeiros intermediários, passando o parasita quando comidos pelos Gatos.
A contaminação através de fezes de Gato é o meio mais comum de infecção humana. Carne e vegetais crus também são outras vias de infecção.
Para a maioria das pessoas não existem sintomas, mas as mulheres grávidas e pessoas com sistemas imunitários fracos estão em risco.
Esta doença pode causar abortos, natimortos ou outras complicações para a saúde de fetos.
Alguns casos apresentam sintomas de gripe como o inchaço dos gânglios linfáticos e toxoplasmose grave que pode causar danos ao cérebro, olhos e outros orgãos.
Existem dois tipos de Ténia de Ratazana, Hymenolepis nana e H. diminuta. Ambas as espécies utilizam Gorgulhos (como por exemplo o Gorgulho Confuso da Farinha) como o principal hospedeiro secundário e são encontradas em climas mais quentes por todo o Mundo.
H. nana é a mais comum, pois, ao contrário do que é habitual para os Helmintos, pode completar um ciclo de vida no intestino humano e propagar-se de pessoa para pessoa através dos ovos nas fezes. Ela liga-se à parede intestinal e absorve os nutrientes através das células que revestem o intestino.
As pessoas podem ficar infectadas ao ingerir água ou alimentos contaminados com fezes de Gorgulhos ou de Ratazana ou, através do contacto das mãos com produtos contaminados.
O seu ciclo de vida é ilustrado num diagrama elaborado pelo CDC dos EUA:
Infecções leves podem não apresentar nenhum sintoma. Infecções graves podem causar:
A infecção pode não ter nenhum efeito prejudicial em adultos, mas é mais provável de causar problemas sérios de saúde em crianças.
A Equinococose é causada por várias espécies da Ténia Echinococcus. Os principais hospedeiros são carnívoros, como as Raposas, os Coiotes e os Lobos. Os seus hospedeiros intermediários são principalmente Animais de Pasto e Suínos.
Em, pelo menos, três espécies, pequenos Roedores, tais como Ratos, Ratos Toupeiros e Lemingues são hospedeiros intermediários, que podem passar os cistos da fase larval quando comidos por Cães e Gatos. Estes, por sua vez, podem passar os cistos para os Seres Humanos através das suas fezes.
Após a ingestão a larva nasce, escavando através da parede intestinal e passa através do sistema arterial para outros orgãos, em especial o fígado e os pulmões, onde pode permanecer indefinidamente e invadir tecidos circundantes.
A infecção pode permanecer sem sintomas evidentes durante anos enquanto o tecido infectado cresce como um tumor.
A Capilariose envolvendo Roedores é causada por uma espécie de nematóide (lombriga), a Capillaria hepatica. É pouco comum que o ciclo de vida do nematóide precise apenas de um hospedeiro e que dependa da morte do hospedeiro para disseminar ovos viáveis.
Os Roedores são o principal hospedeiro, mas este também pode ser outro mamífero, como os Seres Humanos.
A infecção começa com a ingestão de alimentos, água ou solos contaminados com ovos "ambientalmente condicionados".
Os nemátodos adultos alimentam-se no fígado, causando lentamente a perda da função hepática, a inflamação (hepatite) e produção anormal de tecido fibroso, que é a forma como o fígado responde à morte dos Adultos e à presença dos Ovos.
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