Doenças transmitidas por ratos: riscos e prevenção

Os ratos são uma das pragas urbanas mais perigosas, não apenas pelos prejuízos materiais que causam, mas principalmente pelos riscos à saúde pública.

Em ambientes domésticos, comerciais e industriais, esses animais podem disseminar uma série de doenças transmitidas por ratos, muitas delas graves e potencialmente fatais. Entender esses riscos é fundamental para prevenir infestações e proteger pessoas, animais e ambientes.

Ratos em ambientes urbanos: destruidores e vetores de doenças

Presentes em praticamente todas as cidades, e cada vez mais ativos nas grandes metrópoles, os ratos se adaptam com facilidade a ambientes urbanos e podem causar grandes prejuízos estruturais.

Roem cabos elétricos, atacam estoques de alimentos, danificam tubulações e aceleram processos de deterioração de imóveis. Até os automóveis são alvos dos roedores: neste mês, uma cidade francesa ganhou manchetes nos jornais por enfrentar uma infestação tão intensa de ratos que os animais estão invadindo motores de carros.

No entanto, o maior perigo está na contaminação invisível que deixam pelo caminho. Esses roedores podem transmitir doenças por meio da urina, fezes, saliva, além do contato indireto com superfícies e água contaminada. As situações de maior risco incluem enchentes, locais com acúmulo de lixo, esgotos, depósitos, cozinhas mal higienizadas e qualquer área com presença de alimento exposto ou má vedação.

Origem de mais de 55 patógenos

De acordo com a ANECPLA (Associação Nacional de Empresas de Saúde Pública da Espanha), os ratos podem estar ligados a mais de 55 patógenos diferentes. Essa ampla capacidade de disseminação torna esses roedores uma das pragas mais relevantes para a saúde pública.

Segundo o Manual de Controle de Roedores do Ministério da Saúde, o roedor tem participação na cadeia epidemiológica de ao menos 30 doenças transmitidas ao homem. No Brasil, a leptospirose, a peste (também conhecida como “peste negra”, “febre do rato” ou “doença do rato”) e as hantaviroses são as doenças com maior importância epidemiológica transmitidas por ratos.

As doenças causadas por ratos podem matar?

Infelizmente, sim. Algumas doenças transmitidas por ratos têm alta taxa de mortalidade, especialmente quando o diagnóstico é tardio. Tanto a leptospirose quanto a hantavirose, por exemplo, podem evoluir rapidamente para quadros graves.

Por isso, qualquer suspeita de contato com ambientes contaminados precisa ser tratada com atenção.

Leptospirose

A leptospirose é uma das doenças mais conhecidas associadas a ratos, especialmente às ratazanas (Rattus norvegicus), muito comuns em áreas alagadas e próximas a esgotos. A doença é causada pela bactéria Leptospira, que afeta humanos e animais, podendo evoluir para quadros graves.

O Brasil registra, anualmente, uma média de 3.200 casos de Leptospirose humana, com letalidade em torno de 12%, de acordo com o Ministério da Saúde.

Transmissão

A transmissão ocorre principalmente pelo contato com água, lama ou superfícies contaminadas pela urina de ratos infectados. Por isso, situações como enchentes, quando os esgotos transbordam, aumentam drasticamente o risco. Mas até mesmo fazer a limpeza de locais úmidos pode ser perigoso.

As principais vias de entrada da bactéria no corpo humano são feridas na pele e mucosas (como olhos, boca e nariz).

Sintomas da leptospirose

Os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras doenças febris, mas alguns sinais são característicos:

Sintomas comuns:

  • Febre alta
  • Dor muscular intensa, especialmente na panturrilha
  • Dor de cabeça
  • Náuseas e vômitos
  • Mal-estar geral

Sinais de gravidade:

  • Icterícia (pele e olhos amarelados)
  • Insuficiência renal
  • Hemorragias

Quando a leptospirose evolui para a forma grave, chamada Síndrome de Weil, há risco elevado de morte devido às lesões hepáticas e renais.

O que fazer caso apresentar sintomas de leptospirose

  • Procure atendimento médico imediatamente.
  • Evite automedicação.
  • Informe ao profissional de saúde se você teve contato com enchentes, áreas alagadas ou locais potencialmente contaminados.
  • Mantenha-se hidratado e siga as orientações médicas.

O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para evitar complicações.

Rattus norvegicus - vetor da Leptospirose
Rattus norvegicus - vetor da Leptospirose.

Hantavirose

Causada pelo hantavírus, a Hantavirose pode evoluir rapidamente e causar insuficiência respiratória aguda. A taxa de letalidade média é de 46,5%, segundo o Ministério da Saúde.

Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados.

Transmissão

A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva seca de roedores infectados, que podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.

Ambientes fechados, pouco ventilados e abandonados, como sótãos, galpões, forros, depósitos e casas desocupadas, representam risco. Por isso, mesmo ações simples como varrer locais fechados sem proteção podem expor pessoas ao vírus.

Sintomas da hantavirose

Fase inicial:

  • Febre
  • Dor nas articulações
  • Dor de cabeça
  • Dor lombar
  • Dor abdominal
  • Sintomas gastrointestinais

A evolução pode ser rápida, levando à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), caracterizada por:

  • Febre
  • Dificuldade de respirar
  • Respiração acelerada
  • Aceleração dos batimentos cardíacos
  • Tosse seca
  • Pressão baixa

O que fazer caso apresentar sintomas do hantavírus

  • Buscar atendimento médico emergencial; a evolução dos sintomas pode ocorrer em poucas horas.
  • Evitar limpar ou mexer novamente em locais suspeitos.
  • Informar ao médico a exposição recente a ambientes fechados, depósitos, forros ou áreas com presença de roedores.

Outras doenças transmitidas por roedores

Além da leptospirose e da hantavirose, existem outras doenças transmitidas por ratos que podem afetar indiretamente a saúde humana. A interação dos roedores com outras pragas, como pulgas e ácaros, amplia ainda mais essa lista.

Tifo murino e peste bubônica

Tanto o tifo murino quanto a peste bubônica - aquela mesma, que matou ⅓ da população da Europa durante uma epidemia na Idade Média - são transmitidos principalmente pelas pulgas que parasitam ratos.

Isso significa que mesmo que o roedor não entre em contato direto com humanos, seus parasitas podem transportar patógenos sérios. Essa relação reforça como o risco vai além da simples presença do roedor: trata-se de um ecossistema de pragas que precisa ser controlado.

A única prevenção definitiva: o controle profissional de roedores

Ratos e camundongos são extremamente inteligentes, desconfiados e ótimos escaladores, o que torna muito difícil eliminá-los com métodos caseiros. Tanto a ratazana, quanto o rato-preto e o camundongo exigem estratégias diferentes de manejo.

O controle profissional realiza:

  • Inspeção detalhada para identificar entradas, ninhos, trilhas e pontos de alimento
  • Instalação de barreiras físicas
  • Aplicação segura de iscas e armadilhas
  • Monitoramento contínuo para garantir que o ambiente permaneça livre da praga

O processo de desratização vai muito além do simples uso de veneno para ratos. Ele combina conhecimento técnico, produtos regulamentados, equipamentos profissionais e protocolos seguros. Diferentemente do uso amador de raticidas - que pode colocar pessoas e animais domésticos em risco - a desratização profissional garante eficácia real e segurança.

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